sexta-feira, 20 de março de 2009

Outono


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.



Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.



Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,



Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?



E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?



Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.





Fernando Pessoa

2 comentários:

manu disse...

Oi linda!

Bj...

Boa semana!

Angela Carolina disse...

Oi querida amiga, lembrei tanto de esses dias.. Coisas daquela palavra que odiamos nos últimos tempos... Tá difícil a vida na minha parte de mundo viu?
Te adoro querida!
P.S: Adoro Fernando Pessoa!!!