Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
Machado de Assis
Este blog se destina a compartilhar cultura e conhecimento através da interação e do aprendizado mútuo.
sábado, 5 de janeiro de 2008
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
O OLHAR DO AUTOR E DO RECEPTOR

"O olho precisa encontrar o olho do outro. Olho no Olho. O olhar estabelecendo a confiabilidade do diálogo.
O olhar do outro é o alimento solidário para eu me pôr de frente, encontrando a respiração do outro.
Necessito do olhar, do olho do outro no meu olho.
Pouso suave, convidativo, deposito meu olhar no olhar do outro, sem pressa de tirá-lo.
O olhar ajuda a dizer e, principalmente, ajuda a ouvir.
Os olhos ajudam a buscar o significado nos guardados do coração; apóiam a escolha, recolhem a preferência, extraem o sufocado, dissolvem o velado, desentopem o ajustado, desarrumam para enxergar e ordenar o belo e o distraído.
Olhar no olho do outro é sublimar o narrado, é destampar o vivido, é tornar possível, é possibilitar o percurso e os atalhos, é estender o plausível a extremos tensionadores de descobertas, é romper o conformado, é desejar o não-experimentado, é chorar de ver".
Retirado do livro: Pensar a leitura
Edições Loyola
Não sei pq as pessoas temem o "olho no olho"...
Eu prefiro sempre a verdade, não precisa ser
a verdade "verdadeira", mas a verdade do momento,
aquela que falamos no momento em que estamos sentindo,
mesmo que venhamos a nos arrependermos depois...
A verdade "mentirosa", aquela que fica incubada no peito
e nos faz sofrer não me interessa...
Prefiro sofrer pelo que acredito,
do que me amargurar pelo que suponho.
Gostaria de saber a verdade!!!
Onde está aquela velha amizade,
o companheirismo, o "seja quem vc é"??
Onde está a conversa, o contato, o alento,
o "olho no olho", o sustento???
Onde está vc de verdade???
O olhar do outro é o alimento solidário para eu me pôr de frente, encontrando a respiração do outro.
Necessito do olhar, do olho do outro no meu olho.
Pouso suave, convidativo, deposito meu olhar no olhar do outro, sem pressa de tirá-lo.
O olhar ajuda a dizer e, principalmente, ajuda a ouvir.
Os olhos ajudam a buscar o significado nos guardados do coração; apóiam a escolha, recolhem a preferência, extraem o sufocado, dissolvem o velado, desentopem o ajustado, desarrumam para enxergar e ordenar o belo e o distraído.
Olhar no olho do outro é sublimar o narrado, é destampar o vivido, é tornar possível, é possibilitar o percurso e os atalhos, é estender o plausível a extremos tensionadores de descobertas, é romper o conformado, é desejar o não-experimentado, é chorar de ver".
Retirado do livro: Pensar a leitura
Edições Loyola
Não sei pq as pessoas temem o "olho no olho"...
Eu prefiro sempre a verdade, não precisa ser
a verdade "verdadeira", mas a verdade do momento,
aquela que falamos no momento em que estamos sentindo,
mesmo que venhamos a nos arrependermos depois...
A verdade "mentirosa", aquela que fica incubada no peito
e nos faz sofrer não me interessa...
Prefiro sofrer pelo que acredito,
do que me amargurar pelo que suponho.
Gostaria de saber a verdade!!!
Onde está aquela velha amizade,
o companheirismo, o "seja quem vc é"??
Onde está a conversa, o contato, o alento,
o "olho no olho", o sustento???
Onde está vc de verdade???
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Medo
O dia mais belo: hoje
A coisa mais fácil: errar
O maior obstáculo: o medo
O maior erro: o abandono
A raiz de todos os males: o egoísmo
A distração mais bela: o trabalho
A pior derrota: o desânimo
Os melhores professores: as crianças
A primeira necessidade: comunicar-se
O que traz felicidade: ser útil aos demais
O pior defeito: o mau humor
A pessoa mais perigosa: a mentirosa
O pior sentimento: o rancor
O presente mais belo: o perdão
O mais imprescindível: o lar
A rota mais rápida: o caminho certo
A sensação mais agradável: a paz interior
A maior proteção efetiva: o sorriso
O maior remédio: o otimismo
A maior satisfação: o dever cumprido
A força mais potente do mundo: a fé
As pessoas mais necessárias: os pais
A mais bela de todas as coisas: O AMOR!!!
Madre Tereza de Calcutá
Estou em 2008...
Ano que meu pai faz 60 anos,
meu marido 40 e eu (deixa pra lá!!!).
Até pouco tempo atrás a idade não me incomodava...
Agora, a idade fica latente na minha mente!
Mas este ano promete...
Estou preparando a minha primeira viagem internacional,
na iminência de começar em um emprego novo,
pelo reconhecimento do meu profissionalismo.
Ano que concluo mais uma graduação e tb o Mestrado!!!
Enfim... 2007 acabou!!! Ufa!!!!!
Com a expectativa de um 2008,
no mínimo, inovador...
Voltei!!!!
A coisa mais fácil: errar
O maior obstáculo: o medo
O maior erro: o abandono
A raiz de todos os males: o egoísmo
A distração mais bela: o trabalho
A pior derrota: o desânimo
Os melhores professores: as crianças
A primeira necessidade: comunicar-se
O que traz felicidade: ser útil aos demais
O pior defeito: o mau humor
A pessoa mais perigosa: a mentirosa
O pior sentimento: o rancor
O presente mais belo: o perdão
O mais imprescindível: o lar
A rota mais rápida: o caminho certo
A sensação mais agradável: a paz interior
A maior proteção efetiva: o sorriso
O maior remédio: o otimismo
A maior satisfação: o dever cumprido
A força mais potente do mundo: a fé
As pessoas mais necessárias: os pais
A mais bela de todas as coisas: O AMOR!!!
Madre Tereza de Calcutá
Estou em 2008...
Ano que meu pai faz 60 anos,
meu marido 40 e eu (deixa pra lá!!!).
Até pouco tempo atrás a idade não me incomodava...
Agora, a idade fica latente na minha mente!
Mas este ano promete...
Estou preparando a minha primeira viagem internacional,
na iminência de começar em um emprego novo,
pelo reconhecimento do meu profissionalismo.
Ano que concluo mais uma graduação e tb o Mestrado!!!
Enfim... 2007 acabou!!! Ufa!!!!!
Com a expectativa de um 2008,
no mínimo, inovador...
Voltei!!!!
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos".
Luís de Camões
Frase tão antiga...
A humanidade é tão previsível,
que, mesmo após quinhentos anos, ainda
consegue repetir os erros do passado...
Confesso! Não sei se este ano foi bom ou ruim...
Só sei que foi um ano inusitado...
Quantas informações novas,
Quantas pessoas eu conheci, ou melhor,
"concebi", porque passei a senti-las de verdade.
Quantas pessoas eu perdi! Não... se dissiparam
da minha vida, pois em verdade nunca as conheci.
Quantos ganhos e perdas...
Quantas perdas com ganhos...
Fazendo o balanço de final de ano,
de certa forma, o saldo foi positivo.
S.B.
Luís de Camões
Frase tão antiga...
A humanidade é tão previsível,
que, mesmo após quinhentos anos, ainda
consegue repetir os erros do passado...
Confesso! Não sei se este ano foi bom ou ruim...
Só sei que foi um ano inusitado...
Quantas informações novas,
Quantas pessoas eu conheci, ou melhor,
"concebi", porque passei a senti-las de verdade.
Quantas pessoas eu perdi! Não... se dissiparam
da minha vida, pois em verdade nunca as conheci.
Quantos ganhos e perdas...
Quantas perdas com ganhos...
Fazendo o balanço de final de ano,
de certa forma, o saldo foi positivo.
S.B.
RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar elo seu interior) novo, espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come,
se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 22 de dezembro de 2007
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
"Sê"
Se não puderes ser um pinheiro,no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
Seja o melhor que puder,
Que o melhor receberá!
Pois não há mal algum que
modifique nossa essência!"
Oi "Hanson"... adorei suas palavras,
mas vc não deixou e-mail, nem o endereço
do seu blog para contato...
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
Seja o melhor que puder,
Que o melhor receberá!
Pois não há mal algum que
modifique nossa essência!"
Oi "Hanson"... adorei suas palavras,
mas vc não deixou e-mail, nem o endereço
do seu blog para contato...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Não Nos Contaram
Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem.
Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito.
Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, nem contaram que ninguém vai contar.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito.
Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, nem contaram que ninguém vai contar.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
ESCONDIDINHO
Cresci e já não acredito mais em sonhos.
Como pude esquecer meus sonhos de criança, onde a imaginação era soberana?
Passou-se o tempo, a imaginação e a inquietude da juventude perderam-se ao longo da rotina da vida.
Mas não! Os sonhos ainda estavam ali, bem escondidinhos no meu coração, vivendo dentro de mim.
Sempre acreditei que seria possível e esta crença me permitiu sonhar, desejar e realizar.
Talvez a realização do meu sonho tenha demorado um pouco, mas a vida e a maturidade me ensinaram a ter paciência e perseverança.
Então, diante desta conquista tão sonhada, só posso neste momento sorrir e pular de alegria, tal como aquela criança do passado, com a certeza de que sou FELIZ!
Sbonini.
Este pequeno trecho eu escrevi para a mãe de uma amiga...
Que realizou o grande sonho de se formar enfermeira, já na idade "madura"...
Penso que nunca devemos deixar de sonhar...
Não há época certa ou o momento exato!!!!
A única certeza... são os sonhos...
Estes são certos e nos impulsionam!!!
Que lindo exemplo...
Como pude esquecer meus sonhos de criança, onde a imaginação era soberana?
Passou-se o tempo, a imaginação e a inquietude da juventude perderam-se ao longo da rotina da vida.
Mas não! Os sonhos ainda estavam ali, bem escondidinhos no meu coração, vivendo dentro de mim.
Sempre acreditei que seria possível e esta crença me permitiu sonhar, desejar e realizar.
Talvez a realização do meu sonho tenha demorado um pouco, mas a vida e a maturidade me ensinaram a ter paciência e perseverança.
Então, diante desta conquista tão sonhada, só posso neste momento sorrir e pular de alegria, tal como aquela criança do passado, com a certeza de que sou FELIZ!
Sbonini.
Este pequeno trecho eu escrevi para a mãe de uma amiga...
Que realizou o grande sonho de se formar enfermeira, já na idade "madura"...
Penso que nunca devemos deixar de sonhar...
Não há época certa ou o momento exato!!!!
A única certeza... são os sonhos...
Estes são certos e nos impulsionam!!!
Que lindo exemplo...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramática
se do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
domingo, 16 de dezembro de 2007
Afinidade
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é.
Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes
a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola
delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é.
Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes
a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola
sábado, 15 de dezembro de 2007
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
ENTRE AMIGOS (12 de abril de 1999)
Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído.
São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído.
São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Eu hoje joguei tanta coisa fora...."
Vou pedir permissão ao autor e repetir a notória frase:"Eu hoje joguei tanta coisa fora"
Esvaziei minha caixa de e-mail, minha agenda de telefones,
meu coração de "pessoas", que me deixarão saudades...
Deveria ser fácil, como na poesia, mas não é!!!
É doloroso, pois uma caixa limpa,
nada mais é do que uma caixa vazia...
É assim que me sinto!
Não! É assim que não me sinto!!!!
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
A vida
Carros a buzinar, faróis a piscar.
Nas ruas pessoas a gritar, bancos lotados.
Trabalhadores estressados.
Restaurantes, onde sequer se pode entrar.
De repente, no meio desse tumulto.
Surge uma personagem importante, com aparência inebriante.
Faz, tal como “magia”, da sua vida vazia,
Tornar-se algo emocionante.
Sentir-se gente e não número ou papel.
Acreditar, que ainda existem estrelas no céu.
Mas, passado o momento da nostalgia.
Sinto doer o “eu” no coração.
Nada do que pensei existia.
E que recorri à infância,
Convivendo no mundo com a imaginação.
Como gostaria de tudo alterar.
De ser uma criatura diferente,
Para nada das pessoas esperar.
Acreditar que fui “gente” e que signifiquei um presente,
Na difícil arte de se encontrar?
E, sentindo o vácuo pelo que idealizei verdadeiro,
Diante de tanta desigualdade.
Não quero me contaminar com realidade,
E, realmente, crer que houve cumplicidade.
Não pense que falo de amor ou de paixão.
Falo de camaradagem, afeto e comiseração.
Falo do Amor sublime, aquele que se sente,
Acima da racionalidade, da convivência e fantasia.
E que existe independente da frustração.
S. B.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
Cora Coralina
Ontem foi a prova do Magistério...
Impressionante: a quantidade de professores...
o salário irrisório..., o tumulto..., o lugar...
Enfim, cansativo e preocupante.
Porém, o meu maior prazer foi ver o
primeiro texto da prova:
"Eu sei, mas não devia",
de Cora Coralina.
Confesso que foi um alento e,
mesmo diante daquele "caldeirão",
consegui sorrir de prazer e felicidade.
O texto representava tudo que estávamos
vivendo, inclusive aquele tórrido momento.
O que a arte da poesia é capaz de fazer!!!!!
Cora Coralina
Ontem foi a prova do Magistério...
Impressionante: a quantidade de professores...
o salário irrisório..., o tumulto..., o lugar...
Enfim, cansativo e preocupante.
Porém, o meu maior prazer foi ver o
primeiro texto da prova:
"Eu sei, mas não devia",
de Cora Coralina.
Confesso que foi um alento e,
mesmo diante daquele "caldeirão",
consegui sorrir de prazer e felicidade.
O texto representava tudo que estávamos
vivendo, inclusive aquele tórrido momento.
O que a arte da poesia é capaz de fazer!!!!!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
what a wonderful world
Como o mundo é maravilhoso!!!
Eu me casei com esta música...
Tenho grandes recordações, lindas lembranças
e momentos inesquecíveis...
Porém... tudo muda, mesmo assim:
"What a wonderful world".
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