Este blog se destina a compartilhar cultura e conhecimento através da interação e do aprendizado mútuo.
sábado, 22 de dezembro de 2007
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
"Sê"
Se não puderes ser um pinheiro,no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
Seja o melhor que puder,
Que o melhor receberá!
Pois não há mal algum que
modifique nossa essência!"
Oi "Hanson"... adorei suas palavras,
mas vc não deixou e-mail, nem o endereço
do seu blog para contato...
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
Seja o melhor que puder,
Que o melhor receberá!
Pois não há mal algum que
modifique nossa essência!"
Oi "Hanson"... adorei suas palavras,
mas vc não deixou e-mail, nem o endereço
do seu blog para contato...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Não Nos Contaram
Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem.
Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito.
Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, nem contaram que ninguém vai contar.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito.
Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, nem contaram que ninguém vai contar.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
ESCONDIDINHO
Cresci e já não acredito mais em sonhos.
Como pude esquecer meus sonhos de criança, onde a imaginação era soberana?
Passou-se o tempo, a imaginação e a inquietude da juventude perderam-se ao longo da rotina da vida.
Mas não! Os sonhos ainda estavam ali, bem escondidinhos no meu coração, vivendo dentro de mim.
Sempre acreditei que seria possível e esta crença me permitiu sonhar, desejar e realizar.
Talvez a realização do meu sonho tenha demorado um pouco, mas a vida e a maturidade me ensinaram a ter paciência e perseverança.
Então, diante desta conquista tão sonhada, só posso neste momento sorrir e pular de alegria, tal como aquela criança do passado, com a certeza de que sou FELIZ!
Sbonini.
Este pequeno trecho eu escrevi para a mãe de uma amiga...
Que realizou o grande sonho de se formar enfermeira, já na idade "madura"...
Penso que nunca devemos deixar de sonhar...
Não há época certa ou o momento exato!!!!
A única certeza... são os sonhos...
Estes são certos e nos impulsionam!!!
Que lindo exemplo...
Como pude esquecer meus sonhos de criança, onde a imaginação era soberana?
Passou-se o tempo, a imaginação e a inquietude da juventude perderam-se ao longo da rotina da vida.
Mas não! Os sonhos ainda estavam ali, bem escondidinhos no meu coração, vivendo dentro de mim.
Sempre acreditei que seria possível e esta crença me permitiu sonhar, desejar e realizar.
Talvez a realização do meu sonho tenha demorado um pouco, mas a vida e a maturidade me ensinaram a ter paciência e perseverança.
Então, diante desta conquista tão sonhada, só posso neste momento sorrir e pular de alegria, tal como aquela criança do passado, com a certeza de que sou FELIZ!
Sbonini.
Este pequeno trecho eu escrevi para a mãe de uma amiga...
Que realizou o grande sonho de se formar enfermeira, já na idade "madura"...
Penso que nunca devemos deixar de sonhar...
Não há época certa ou o momento exato!!!!
A única certeza... são os sonhos...
Estes são certos e nos impulsionam!!!
Que lindo exemplo...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramática
se do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
domingo, 16 de dezembro de 2007
Afinidade
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é.
Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes
a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola
delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é.
Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes
a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola
sábado, 15 de dezembro de 2007
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
ENTRE AMIGOS (12 de abril de 1999)
Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído.
São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído.
São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Eu hoje joguei tanta coisa fora...."
Vou pedir permissão ao autor e repetir a notória frase:"Eu hoje joguei tanta coisa fora"
Esvaziei minha caixa de e-mail, minha agenda de telefones,
meu coração de "pessoas", que me deixarão saudades...
Deveria ser fácil, como na poesia, mas não é!!!
É doloroso, pois uma caixa limpa,
nada mais é do que uma caixa vazia...
É assim que me sinto!
Não! É assim que não me sinto!!!!
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
A vida
Carros a buzinar, faróis a piscar.
Nas ruas pessoas a gritar, bancos lotados.
Trabalhadores estressados.
Restaurantes, onde sequer se pode entrar.
De repente, no meio desse tumulto.
Surge uma personagem importante, com aparência inebriante.
Faz, tal como “magia”, da sua vida vazia,
Tornar-se algo emocionante.
Sentir-se gente e não número ou papel.
Acreditar, que ainda existem estrelas no céu.
Mas, passado o momento da nostalgia.
Sinto doer o “eu” no coração.
Nada do que pensei existia.
E que recorri à infância,
Convivendo no mundo com a imaginação.
Como gostaria de tudo alterar.
De ser uma criatura diferente,
Para nada das pessoas esperar.
Acreditar que fui “gente” e que signifiquei um presente,
Na difícil arte de se encontrar?
E, sentindo o vácuo pelo que idealizei verdadeiro,
Diante de tanta desigualdade.
Não quero me contaminar com realidade,
E, realmente, crer que houve cumplicidade.
Não pense que falo de amor ou de paixão.
Falo de camaradagem, afeto e comiseração.
Falo do Amor sublime, aquele que se sente,
Acima da racionalidade, da convivência e fantasia.
E que existe independente da frustração.
S. B.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
Cora Coralina
Ontem foi a prova do Magistério...
Impressionante: a quantidade de professores...
o salário irrisório..., o tumulto..., o lugar...
Enfim, cansativo e preocupante.
Porém, o meu maior prazer foi ver o
primeiro texto da prova:
"Eu sei, mas não devia",
de Cora Coralina.
Confesso que foi um alento e,
mesmo diante daquele "caldeirão",
consegui sorrir de prazer e felicidade.
O texto representava tudo que estávamos
vivendo, inclusive aquele tórrido momento.
O que a arte da poesia é capaz de fazer!!!!!
Cora Coralina
Ontem foi a prova do Magistério...
Impressionante: a quantidade de professores...
o salário irrisório..., o tumulto..., o lugar...
Enfim, cansativo e preocupante.
Porém, o meu maior prazer foi ver o
primeiro texto da prova:
"Eu sei, mas não devia",
de Cora Coralina.
Confesso que foi um alento e,
mesmo diante daquele "caldeirão",
consegui sorrir de prazer e felicidade.
O texto representava tudo que estávamos
vivendo, inclusive aquele tórrido momento.
O que a arte da poesia é capaz de fazer!!!!!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
what a wonderful world
Como o mundo é maravilhoso!!!
Eu me casei com esta música...
Tenho grandes recordações, lindas lembranças
e momentos inesquecíveis...
Porém... tudo muda, mesmo assim:
"What a wonderful world".
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Meu maior medo

Meu maior medo é viver sozinho
e não ter fé para receber um mundo diferente
e não ter paz para se despedir.
Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho
e me esforçar em me manter ocupado,
para não provocar compaixão dos garçons.
Meu maior medo é ajudar as pessoas,
porque não sei me ajudar.
Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal,
sem acordar durante a chuva mais revolta,
sem adormecer diante da chuva mais branda.
Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho.
Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento.
Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho
e depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.
Meu maior medo é a segunda-feira
e me calar para não parecer estranho e anti-social.
Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par
e voltar mais solteiro do que antes.
Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho.
Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim.
Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família,
que não me deixa ao menos dar errado.
Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra
e faltar uma companhia para concordar comigo.
Meu maior medo é que a metade do rosto, que apanho com a mão,
seja convencida a partir, com a metade do rosto que não alcanço.
Meu maior medo é escrever para não pensar.
Eu vivo o maior dos temores...
Eu escrevo para não pensar!!!!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Amizade Verdadeira
Amizade é algo essencial na minha vida.
É valioso saber que tenho um grande amigo,
que a cada instante esteja comigo,
nem que seja em pensamento.
Pode ser um amigo de shopping, de faculdade, de trabalho,
de viagem em viagem, aquele que se vai na sexta-feira depois da aula.
Um amigo leal, aquele que está junto a mim,
sempre... e que, mesmo estando distante, não me abandona.
Um amigo compreende as minhas falhas,
ouve o meu silêncio, entende as minhas súplicas.
Pode até viver num mundo virtual,
conectado apenas pelos pensamentos e tecnologias.
Não importa! desde que ele exista,
fique em meu coração e me deixe com saudades.
Saiba reconhecer os momentos bons
ou difíceis da minha vida.
Tenho muitos amigos,
mas me sinto muito sozinha.
Não sei se reconheço a verdadeira amizade,
ou se ela realmente existe.
S.B.
É valioso saber que tenho um grande amigo,
que a cada instante esteja comigo,
nem que seja em pensamento.
Pode ser um amigo de shopping, de faculdade, de trabalho,
de viagem em viagem, aquele que se vai na sexta-feira depois da aula.
Um amigo leal, aquele que está junto a mim,
sempre... e que, mesmo estando distante, não me abandona.
Um amigo compreende as minhas falhas,
ouve o meu silêncio, entende as minhas súplicas.
Pode até viver num mundo virtual,
conectado apenas pelos pensamentos e tecnologias.
Não importa! desde que ele exista,
fique em meu coração e me deixe com saudades.
Saiba reconhecer os momentos bons
ou difíceis da minha vida.
Tenho muitos amigos,
mas me sinto muito sozinha.
Não sei se reconheço a verdadeira amizade,
ou se ela realmente existe.
S.B.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Sinos
Ovídio (A Arte de Amar)
"Se eu pudesse,
seria mais sensata;
mas uma força nova
arrasta-me contra a minha vontade,
e o desejo
atrai-me a uma direção,
e a razão, a outra:
vejo e aprovo o melhor,
mas sigo o pior."
Ovídio
seria mais sensata;
mas uma força nova
arrasta-me contra a minha vontade,
e o desejo
atrai-me a uma direção,
e a razão, a outra:
vejo e aprovo o melhor,
mas sigo o pior."
Ovídio
sábado, 1 de dezembro de 2007
Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nosses bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prezer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeira,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Coimbra, julho 1843. Gonçalves Dias.
Literatura Brasileira...
Mais um final de semana de estudos,
mas não posso negar que é com um imenso prazer...
Porque só "Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá".
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nosses bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prezer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeira,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Coimbra, julho 1843. Gonçalves Dias.
Literatura Brasileira...
Mais um final de semana de estudos,
mas não posso negar que é com um imenso prazer...
Porque só "Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá".
Assinar:
Postagens (Atom)


