domingo, 17 de fevereiro de 2008

Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.
Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não.
É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.
Chamais-me europeu?
Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.

Rui Knopfli (1932-1997)

Eis a questão da identidade e o forte elemento eurocêntrico na formação da identidade negra.
No poema, o "eu" lírico questiona a existência de uma identidade negra, diante da assimilação da cultura européia.
Observa-se um sujeito híbrido, por não se reconhecer como europeu e por não ter internalizada a sua cultura.
O título "Naturalidade" (de naturalização) demonstra o desejo de se resgatar como sujeito nacional e, assim, constituir uma identidade... a identidade dos excluídos.
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Muito estudo, muita leitura, muita ocupação...
pouco tempo, pouco divertimento, pouca reflexão...
Estou no "meio termo"...
Um quase nada, um pouco de tudo, um muito de todo...
Estou híbrida.
S.B.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Incompreensão

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.
Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso.
A única magia que existe é a nossa incompreensão."
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O Vencedor

Olha lá quem vem do lado oposto
E vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
Sãos e salvos de sofrer

Olha lá quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

E eu que nunca fui assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz


http://www.youtube.com/watch?v=VLPURvCvPP0

Visitando o blog de uma "amiga virtual", que adora a banda "Los Hermanos", postei um comentário, que ficou "martelando" na minha cabeça... então resolvi me justificar!!!
Um discurso, para que constitua um forte argumento, necessita, além de um bom conteúdo, tembém de dois fatores: a compreensão do intérprete e a coerência com os demais elementos do texto.
Todo texto tem lacunas, que são completada pelo intérprete. A intertextualidade é esse diálogo que o discurso produz com outros textos e que criam o discurso de quem está interpretando.
Assim, os compositores da banda "Los Hermanos" produzem um diálogo intertextual ambígüo, pois as pressuposições que compõem o discurso, muitas vezes, não fazem parte do universo de conhecimento do ouvinte. Tal fato se observa nos comentários pertinentes ao show e à música.
As pressuposições são difíceis de serem desafiadas, pois são tomadas como tácitas pelo produtor do discurso, baseadas sempre em relações intertextuais com textos prévios. No exemplo da música, ora postada, tem-se "O Vencedor" como verdade absoluta, mas não se indaga a quem ele serve, quem lucra com "os vencedores", quais são os mecanismos de perpetuação desta condição... Enfim, torna-se necessário que o ouvinte complete estas lacunas e estabeleça tal diálogo para, assim, compreender a informação que está contida no discurso.
O interessante na banda "Los Hermanos", a qual passei a analisar há pouco tempo, é a formação de cadeias intertextuais variadas, compostas de pressuposições, negações, metadiscursos, ironias, entre outras...
Retomando ao tema "O Vencedor", a ironia objetiva demonstrar a disparidade entre o enunciado e a sua função real, que é a de expressar (ou denunciar) a atitude negativa de subserviência e conformidade... Contudo, cumpre repisar, tal reconhecimento depende da capacidade de os intérpretes dialogarem com a letra...
Não posso deixar de apreciar, não obstante minhas restrições pessoais, a produção discursiva da banda e o papel de reconstituir, reproduzir e desafiar as práticas sociais.
S. B.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A miséria do meu ser

A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.


Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.


É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim.
Mas isto é crível?


Fernando Pessoa

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Resposta a uma pergunta

O amor para mim é segundo o que está posto nas Escrituras Sagradas no Livro de I Coríntios 13; 1- 7:

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor , serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda ciência; ainda que eu tenha tamanha fé , a ponto de transportar montes , se não tiver amor nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para se queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre , tudo crê, tudo espera, tudo suporta".
A resposta perfeita não foi minha.
Uma amiga respondeu com ponderação e sabedoria a pergunta:
"O que é o amor?"
Não há o que comentar!!!!
Assim, Amor é o que eu sinto pelo meu filho...
Meu único e verdadeiro Amor!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

... Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
-Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E quando haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


Fernando Pessoa

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval


O Brasil é um país de inúmeras festas.
É assombroso o número de feriados no calendário anual.
Mas, se somarmos os dias que são emendados, teremos ao longo do ano, mais de quinze dias parados.
Segundo especialistas do assunto, os prejuízos são enormes para o País. Agora, nesta época, temos o feriado de carnaval.
Em alguns lugares perde-se mais de uma semana de trabalho.
É o festejo da alegria num País de quase 40 milhões de miseráveis. Desde o início de janeiro a mídia vem explorando as folias de Momo, como se fosse o acontecimento mais importante do ano.
Fala-se em alegria, festa, colocar para fora as angústias contidas durante o ano passado. Infelizmente os caminhos propostos nada têm a ver com alegria ou alívio de tensões. Ligamos a televisão e ouvimos a batida repetitiva das escolas de samba, cujo valor folclórico e cultural foi lentamente sendo perdido.
Há muita gente que busca fazer do carnaval um momento de esperança, oportunizando empregos, abrigando menores e isso é muito valioso. Entretanto, o grande saldo da festa se resume em duas palavras: ilusão e sensualidade.
Referimo-nos à ilusão dos entorpecentes, dos alcoólicos. A ilusão de grandeza, que falsamente produz um imenso contraste entre a beleza da avenida e a subvida dos barracos.
Falamos da sensualidade que se torna material de venda, nos corpos desnudos e aparentemente felizes por fora, mas muitas vezes profundamente infelizes por dentro.
As emissoras não cansam de exibir os bailes, os concursos de fantasias, os desfiles, levando-os a todos os que se comprazem em observar a loucura. Mas, ao longo do caminho, multiplicam-se os doentes de Aids, os abortamentos, a pobreza e o abandono, a violência.
Com o risco de sermos taxados de moralistas, num tempo em que se perdem as noções de moralidade, não podemos deixar de analisar criticamente esses disparates do mundo brasileiro. Em nenhum momento nos colocamos contra a alegria. Porém, será justo confundir euforia passageira com alegria real? Alegria de verdade seria viver num lugar onde não houvesse fome, violência, tráfico de drogas e tráfico de influências.
Não podemos nos colocar contra o alívio de tensões. Entretanto, alívio real seria encontrar um caminho para os graves problemas pelos quais o País atravessa.
O carnaval é bem típico da alienação espiritual que a sociedade se permite. De um lado, as falsas aquisições sociais de alguns, negadas pela agressividade de muitos; de outro, a falsa felicidade de quatro dias de folia, e 361 dias de novas e renovadas angústias. Vale a pena?
Nestas horas, pessoas embriagadas, perdidas, usam um segundo de falso prazer, em troca de um enorme tempo de arrependimentos. Por quê? - perguntamos.
As pessoas pulam, vibram, e nem ao menos sabem o motivo da festa. Vão porque as outras pessoas também vão. Enquanto a sociedade agir desta forma, sem personalidade digna, dando valores justamente aos desvalores, as pessoas continuarão sofrendo as conseqüências de seus próprios atos.
Vamos fazer destes dias de feriado, dias de alegria verdadeira, em paz conosco mesmos. Vamos meditar, ler, pensar. Vamos conviver com nossa família e amigos, trocar idéias salutares. Vamos orar também por aqueles que ainda não tiveram consciência de fazer o bem conforme o Cristo nos recomendou, e padecem nestes instantes de euforia descontrolada.
Um amigo da faculdade de Letras me enviou... não tive a oportunidade de perguntar a autoria do texto, mas concordo (em parte)...
Sou totalmente contra a alienação e o excesso de feriados no Brasil, onde se criou uma cultura do "trabalhar menos, ganhando mais", quando, em verdade, precisaríamos trabalhar o justo, ganhando o justo e nos dias normais...
Substitui-se o óbvio pelo duvidoso, pois o prejuízo alegado pelas grandes empresas, são ínfimos perto do que se lucra com a exploração do trabalho alheio.
Mas concordo com a alegria desenfreiada e desmotivada, com a exploração da sexualidade, com a motivação do consumo de bebida alcoólica, que são, nada mais, do que instrumentos de dominação e alienação social!!! Vide BBB's, canais de fofoca, novelas que disvirtuam a realidade, noticiários curtos e de teor questionável, imagens substituindo notícias... enfim, vivemos em total alienação e o carnaval resenha a realidade.
Como advogada, não posso deixar de me manifestar sobre o "carro do Holocausto" da Viradouro. Não posso aceitar que, próximos de completarmos 20 (vinte) anos da promulgação da "Constituição Cidadã", um carro tenha sido vetado, por ordem judicial, porque uma associação israelita ingressou na justica alegando ofensa a um povo!!!
Bem, que se tratou de um crime contra a humanidade, não temos dúvida!!! Só não consigo entender uma coisa???? Quem nasce em Israel é Israelita, o Estado de Israel foi instituído em que data mesmo???? Outra questão, o judaísmo é uma religião, o que significa que nem todos os israelitas são judeus, existem israelitas cristãos... então, o carnaval não é uma festa pagã??? Único período que as Igrejas fecham????
Penso que a legitimidade, para ingressar juridicamente contra um carro a ser exibido no carnaval, deveria ser de toda a humanidade. Por outro lado, acredito que não se deve misturar carnaval com religião...
Não sei se o carnaval é um período propício para orar!!!! Temos o ano todo para isso, mas, certamente, deve ser um período de reflexão e muita leitura MESMO...
S.B

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Escutatória

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:

"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".

Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.

(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
Por Rubem Alves.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A língua humana

Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
Ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
Faz em dez minutos brecha?
-Qual a mais firme das armas?-
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
O punhal, ou o chifarote?...
A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei, meus bons amigos:
Se apelida: - a língua humana.


Fagundes Varela.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Os Viajantes e o Urso

Um dia dois viajantes dera de cara com um urso. O primeiro se salvou escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia consguir vencer sozinho o urso, se jogou no chão e fingui-se de morto. O urso se aproximou dele e começou a cheirar sua orelha, mas, convencido de que estava morto, foi embora.
O amigo começou a descer da árvore e perguntou:
_O que o urso estava cochichando em seu ouvido?
_Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí viajando com gente que abandona os amigos na hora do perigo.
Moral da história:
A desgraça põe à prova a sinceridade e a amizade.


Esopo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Desejo que você...


"Desejo que você

Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.

Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.

Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.

Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.

Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.

Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,

Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.

Seja um debatedor de idéias.

Lute pelo que você ama."




Augusto Cury

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

MUDE

Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importanteque a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lugar da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
Procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente...

Clarice Lispector

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Vou explicar:

A plenitude dos sentimentalismo e das paixões atingiu seu ápice na Segunda Geração do Romantismo. Autores, entre eles Álvares de Azevedo, influenciados pelos românticos europeus, como Byron e Musset, representam o Ultra-Romantismo ou “Mal-do-Século”, caracterizado por uma poesia melancólica e sentimental, expressão do pessimismo e da descrença na sociedade.
Diante do tédio pela vida e de uma obsessão pela morte, a poesia desta geração tem cunho egocêntrico e demonstra as tristezas e as frustrações destes poetas, que não encontravam lugar neste mundo...
Como eu sempre digo aos meus amigos: "pensar dói, ser dói...", eis o exemplo caracterizado em toda uma geração.
Imitação

O tempo alegre corria
Da infância nos anos meus;
O céu azul me sorria;
Que esperança, oh meu Deus!
Via uma verde campina,
Nele uma flor peregrina;
Tinha uma crença querida,
Sonhava glórias brilhantes,
No porvir da minha vida.

Dias de gozo e ventura,
Manhãs de purpúrea cor,
Tardes de elísia doçura,
Noites de ameno frescor;
O sol doirado fulgindo;
A lua argêntea luzindo;
Tudo, tudo prometia
Alegrias amorosas;
Canções do céu tão mimosas!
Tudo, tudo repetia.

Haver pensara no mundo
Uma sincera afeição
Amor leal e profundo,
Santo amor do coração;
Sonhava fruir delícias,
Ternas e meigas carícias;
Mulheres belas gozar,
Mais belas que a do Profeta,
Puro amor como o de poeta
Rendido lhes consagrar.


Álvares de Azevedo

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A lagartixa

A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.

Vale tudo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.

Álvares de Azevedo.



Ganhei vários livros de presente ontem,
um deles foi "Poemas Escolhidos" de Álvares de Azevedo.
Esta poesia estava contida neste livro,
presente de um AMIGO incomparável...
Um amigo parecido comigo,
que sofre por não se sentir inserido neste mundo,
que não compreende por que pessoas vem e vão,
sem explicar a razão.
Que se doa, sem esperar nada em troca, além
de um telefonema ou de um tchau...
Que tenta justificar as atitudes alheias,
através de seus próprios atos...
Álvares de Azevedo também se sentia assim...

Como nada na vida é por acaso, acredito que
este livro veio para mim por algum motivo...
Nem que seja para eu ficar exposta ao sol!!!!

Silvia Bonini.






quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Há poucos dias eu disse que não sabia
se a verdadeira amizade realmente existia!!!
Interessante, como a vida é volátil e efêmera...

Eu tenho grandes amigos sim,
ou melhor, grandes amigas!!!

Conheço muitas pessoas...
Algumas se doam um pouco...
Poucas fingem que se doam...
Muitas não se doam nunca...
Raras são as que se doam plenamente...

E então, quem é quem???
Em uma relação, mesmo de amizade,
as pessoas só pensam nelas...
vêem-se refletidas.

Porém,
quando estamos perdidos emocionalmente e
aflitos, mesmo sem saber.
Quando surge uma pessoa corajosa o suficiente a lhe dizer,
O quanto está errado...

Ahh!!! Esse alguém, capaz de recolher os seus cacos,
sem você esperar... que ousa a te resgatar,
antes que você sufoque na própria dor.
Esta pessoa é seu amigo de verdade...

Porque como dizia Camilo Castelo Branco:

"Em coisas insignificantes é que um verdadeiro amigo se avalia".

Amo-te Carol, obrigada por vc existir!!!!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

É brando o dia, brando o vento

É brando o dia, brando o vento
É brando o sol e brando o céu.
Assim fosse meu pensamento!
Assim fosse eu, assim fosse eu!

Mas entre mim e as brandas glórias

Deste céu limpo e este ar sem mim
Intervêm sonhos e memórias...
Ser eu assim ser eu assim!

Ah, o mundo é quanto nós trazemos.
Existe tudo porque existo.
Há porque vemos.
E tudo é isto, tudo é isto!

Fernando Pessoa


Não há uma nuvem no céu do Rio de Janeiro!
São nesses belíssimos dias, em que a natureza
se manifesta de forma branda e suave, que eu
tenho a plena certeza de como a vida é maravilhosa!

Não estou na praia!!! Não!!!
Estou na janela do meu apartamento,
sentada ao computador, trabalhando em minha aulas...
Mesmo assim, fascinada com este dia tão lindo!!!

Não há como ficar triste em um dia de sol!!!!
Refletir em um dia de luz é mais fácil...

Basta observar as crianças, de férias,
correndo, brincando e gritando pelo pátio;
outras na piscina ou jogando bola;
os adultos vestindo roupas coloridas e estampadas;
e eu trabalhando de short e chinelos...






terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Recomeçar

Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar;
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e,
o Mais importante...
Acreditar em você de novo;
Sofreu muito neste período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Onde você quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e,
principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida!
Porque sou do tamanho daquilo que vejo,
e não do tamanho da minha altura!


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo!
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...


Mário Quintana

domingo, 13 de janeiro de 2008


"Mesmo sem querer fala em verso
Quem fala a partir da emoção".



João Cabral de Melo Neto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sensações

Sensacões, como são difíceis de serem expressas... O coração bate tresloucadamente, as mãos suam, nervos a flor da pele e aquela incerteza latente: ligar ou não ligar? E se ele não lembrar de mim? E se simplesmente me ignorar??? O que fazer... Coração retumbando dentro do peito, ansiedade pura, pulsação como se tivesse acabado de correr uma maratona... E então ela decide: vou ligar e seja o que Deus quiser! Levanta de sua mesa de trabalho, atrolhada de processos complicadíssimos que destrincha com a maior facilidade e o medo se apodera dela... Não vou desistir, hoje eu vou ligar... Seus dedos tremulam ao digitar os números, código da operadora, 2 números, código da área, + 2, número do telefone, + 08, são doze intermináveis números que ela digita durante os quais ela simplesmente não raciocina para não desistir. Números discados, telefone chamando, toca uma, duas, três, ela já até está querendo desligar pensando “viu, ele não atendeu, a culpa não foi minha”! Quando ouve um alô do outro lado, daquela voz tão conhecida, jamais esquecida, apesar do tempo passado, ela tira uma forca que não sabia que possuía e comeca a falar... Primeiro coisas triviais, “ como tu estás, e o trabalho, saúde?” E todo aquele papo educado que aprendemos a ter, como dizem os franceses “come il faut”... Perguntas que vão, respostas que vêm, questões respondidas e o tempo passando e ela pensando: “eu não vou conseguir...” Mas ela é uma mulher determinada, que aprendeu a lidar melhor com suas emoções e que acha extremamente injusto esconder seus sentimentos dos outros e de si própria... Então menciona: “isto não têm nada a ver com você, eu é que preciso te dizer isso...” respira fundo e solta o verbo, com uma coragem que vem das entranhas: “tu não sabes como eu te amei naquela época...”, ela nunca havia dito isso com todas as palavras: EU TE AMO! Apesar das atitudes indicaram, os olhos falarem, mas a boca era reprimida... Não conseguia dizer durante todos os momentos apaixonados e maravilhosos vividos, essas palavras mágicas... ela ainda era uma menina-mulher, confusa, apaixonada... e achava que não dizendo isso, deixava de entregar o que já havia sido entregue há muito tempo: sua alma, seu coração e seu corpo... Quanta bobagem... só o tempo e a experiência a deixaram ver isso... Vitória ! Ela disse! Conseguiu! Está em paz com sua consciência. Disse a quem nunca havia dito que o amava, apesar de um atraso de dez anos, mas isso é detalhe! Ela deixou de dizer, ele deixou de ouvir, será que mudaria algo??? Agora isso não interessa... Ele pareceu um pouco perturbado e diz que ficou emocionado... Retribui com o velho jargão “eu também gostei muito de ti”... Ela não acredita que cumpriu a missão que tinha estabelecido para si mesma, então se despede: “um beijo para ti” e desliga. Volta para sua sala, senta em sua mesa, em frente ao seu computador, como se nada tivesse acontecido! Tudo parece igual, seus colegas sérios trabalhando, os processos se avolumando e ela tenta se concentrar, seus olhos enchem de lágrimas, ela havia vencido mais uma batalha! Ela era uma mulher de verdade que não esconde o que sentiu, sente e sentirá! Cresceu e amadureceu! Se parabeniza mentalmente e pensa: “a liberdade realmente é azul!”

Martha Medeiros


Não importa qual a sua dor, qual o seu sofrimento, a única pessoa a quem não podemos mentir somos nós!!!! Então, não esconda seus sentimentos, mesmo diante da indiferença alheia, das máscaras criadas, do tempo decorrido...
Ah!!! Mas ser sincero tem um preço, certamente você ficará na dúvida... o que será que ele/a pensou do que falei? O que signifiquei (ou significo) para ele/a? Será que ele/a merecia minha verdade?
Não interessa!!! Diga a verdade SEMPRE, por você e não por ele/a, pois não há nada a perder, além do que já se perdeu...
S. B.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Tu Tens um Medo

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete.
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia.
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.


Cecília Meireles

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Talvez, quem sabe, eu venha a me arrepender
de todos os meus atos do passado.
Contudo, eu não temo, pois um arrependimento
indica uma atitude de ousadia e coragem.
Não me importa se cometi erros...
Minha vida segue... vou prosseguir
e, com certeza, errar e acertar muitas e muitas vezes...
Isso é amadurecer... crescer... viver...
Não preciso ter uma atitude específica
para convencer alguém de quem sou, ou do que quero.
Já que não tenho dúvidas!!!!
Mas, se fecham o coração para não sentir,
eu não sou a responsável por isso...
A minha verdade está disponível,
basta acreditar!!!


S. B.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ASSOMBROS


Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e a omoplata rola
mal quebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Affonso Romano de Sant'Anna (Lado Esquerdo do Meu Peito)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

AMOR E SEU TEMPO

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde.


Carlos Drummond de Andrade


Adoro Drummond...
e ele sempre tem o que me dizer!
É incrível como vc só conhece
o Amor na maturidade...
Não se trata de apologia,
pelo fato de eu ser "balzaquiana",
mas de auto-conhecimento!
Vc só aprende a amar e a ser amado,
qdo se reconhece como ser digno e
apto a ser amado!
E, infelizmente penso eu,
isso só ocorre na maturidade...,
que não sinônimo de idade!
Conheço jovens maduros e
velhos imaturos...
Amar independe da idade!!!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.


Machado de Assis

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O OLHAR DO AUTOR E DO RECEPTOR


"O olho precisa encontrar o olho do outro. Olho no Olho. O olhar estabelecendo a confiabilidade do diálogo.
O olhar do outro é o alimento solidário para eu me pôr de frente, encontrando a respiração do outro.
Necessito do olhar, do olho do outro no meu olho.
Pouso suave, convidativo, deposito meu olhar no olhar do outro, sem pressa de tirá-lo.
O olhar ajuda a dizer e, principalmente, ajuda a ouvir.
Os olhos ajudam a buscar o significado nos guardados do coração; apóiam a escolha, recolhem a preferência, extraem o sufocado, dissolvem o velado, desentopem o ajustado, desarrumam para enxergar e ordenar o belo e o distraído.
Olhar no olho do outro é sublimar o narrado, é destampar o vivido, é tornar possível, é possibilitar o percurso e os atalhos, é estender o plausível a extremos tensionadores de descobertas, é romper o conformado, é desejar o não-experimentado, é chorar de ver".


Retirado do livro: Pensar a leitura
Edições Loyola


Não sei pq as pessoas temem o "olho no olho"...
Eu prefiro sempre a verdade, não precisa ser
a verdade "verdadeira", mas a verdade do momento,
aquela que falamos no momento em que estamos sentindo,
mesmo que venhamos a nos arrependermos depois...

A verdade "mentirosa", aquela que fica incubada no peito
e nos faz sofrer não me interessa...
Prefiro sofrer pelo que acredito,
do que me amargurar pelo que suponho.

Gostaria de saber a verdade!!!
Onde está aquela velha amizade,
o companheirismo, o "seja quem vc é"??
Onde está a conversa, o contato, o alento,
o "olho no olho", o sustento???

Onde está vc de verdade???

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Medo

O dia mais belo: hoje
A coisa mais fácil: errar
O maior obstáculo: o medo
O maior erro: o abandono
A raiz de todos os males: o egoísmo
A distração mais bela: o trabalho
A pior derrota: o desânimo
Os melhores professores: as crianças
A primeira necessidade: comunicar-se
O que traz felicidade: ser útil aos demais
O pior defeito: o mau humor
A pessoa mais perigosa: a mentirosa
O pior sentimento: o rancor
O presente mais belo: o perdão
O mais imprescindível: o lar
A rota mais rápida: o caminho certo
A sensação mais agradável: a paz interior
A maior proteção efetiva: o sorriso
O maior remédio: o otimismo
A maior satisfação: o dever cumprido
A força mais potente do mundo: a fé
As pessoas mais necessárias: os pais
A mais bela de todas as coisas: O AMOR!!!

Madre Tereza de Calcutá


Estou em 2008...
Ano que meu pai faz 60 anos,
meu marido 40 e eu (deixa pra lá!!!).
Até pouco tempo atrás a idade não me incomodava...
Agora, a idade fica latente na minha mente!

Mas este ano promete...
Estou preparando a minha primeira viagem internacional,
na iminência de começar em um emprego novo,
pelo reconhecimento do meu profissionalismo.
Ano que concluo mais uma graduação e tb o Mestrado!!!

Enfim... 2007 acabou!!! Ufa!!!!!
Com a expectativa de um 2008,
no mínimo, inovador...

Voltei!!!!







quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos".

Luís de Camões


Frase tão antiga...
A humanidade é tão previsível,
que, mesmo após quinhentos anos, ainda
consegue repetir os erros do passado...

Confesso! Não sei se este ano foi bom ou ruim...
Só sei que foi um ano inusitado...
Quantas informações novas,
Quantas pessoas eu conheci, ou melhor,
"concebi", porque passei a senti-las de verdade.
Quantas pessoas eu perdi! Não... se dissiparam
da minha vida, pois em verdade nunca as conheci.
Quantos ganhos e perdas...
Quantas perdas com ganhos...
Fazendo o balanço de final de ano,
de certa forma, o saldo foi positivo.

S.B.

RECEITA DE ANO NOVO



Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,

remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar elo seu interior) novo, espontâneo,

que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come,

se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,

recompensa, justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila

e espera desde sempre.



Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

"Sê"

Se não puderes ser um pinheiro,no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

Seja o melhor que puder,
Que o melhor receberá!
Pois não há mal algum que
modifique nossa essência!"

Oi "Hanson"... adorei suas palavras,
mas vc não deixou e-mail, nem o endereço
do seu blog para contato...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Não Nos Contaram

Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem.
Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito.
Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, nem contaram que ninguém vai contar.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém.

Martha Medeiros

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ESCONDIDINHO

Cresci e já não acredito mais em sonhos.

Como pude esquecer meus sonhos de criança, onde a imaginação era soberana?

Passou-se o tempo, a imaginação e a inquietude da juventude perderam-se ao longo da rotina da vida.

Mas não! Os sonhos ainda estavam ali, bem escondidinhos no meu coração, vivendo dentro de mim.

Sempre acreditei que seria possível e esta crença me permitiu sonhar, desejar e realizar.

Talvez a realização do meu sonho tenha demorado um pouco, mas a vida e a maturidade me ensinaram a ter paciência e perseverança.

Então, diante desta conquista tão sonhada, só posso neste momento sorrir e pular de alegria, tal como aquela criança do passado, com a certeza de que sou FELIZ!

Sbonini.


Este pequeno trecho eu escrevi para a mãe de uma amiga...
Que realizou o grande sonho de se formar enfermeira, já na idade "madura"...
Penso que nunca devemos deixar de sonhar...
Não há época certa ou o momento exato!!!!
A única certeza... são os sonhos...
Estes são certos e nos impulsionam!!!
Que lindo exemplo...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU


Além da Terra, além do Céu,

no trampolim do sem-fim das estrelas,

no rastro dos astros,

na magnólia das nebulosas.

Além, muito além do sistema solar,

até onde alcançam o pensamento e o coração,

vamos!

vamos conjugar

o verbo fundamental essencial,

o verbo transcendente, acima das gramática

se do medo e da moeda e da política,

o verbo sempreamar,

o verbo pluriamar,

razão de ser e de viver.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



domingo, 16 de dezembro de 2007

Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é.
Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor.
Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes
a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.


Arthur da Távola

sábado, 15 de dezembro de 2007




TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ENTRE AMIGOS (12 de abril de 1999)

Para que serve um amigo?

Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.

Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.

Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.

Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído.

São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.


Martha Medeiros

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Eu hoje joguei tanta coisa fora...."

Vou pedir permissão ao autor e repetir a notória frase:
"Eu hoje joguei tanta coisa fora"
Esvaziei minha caixa de e-mail, minha agenda de telefones,
meu coração de "pessoas", que me deixarão saudades...
Deveria ser fácil, como na poesia, mas não é!!!
É doloroso, pois uma caixa limpa,
nada mais é do que uma caixa vazia...
É assim que me sinto!
Não! É assim que não me sinto!!!!

Poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A vida


Carros a buzinar, faróis a piscar.
Nas ruas pessoas a gritar, bancos lotados.
Trabalhadores estressados.
Restaurantes, onde sequer se pode entrar.

De repente, no meio desse tumulto.
Surge uma personagem importante, com aparência inebriante.
Faz, tal como “magia”, da sua vida vazia,
Tornar-se algo emocionante.


Sentir-se gente e não número ou papel.
Acreditar, que ainda existem estrelas no céu.

Mas, passado o momento da nostalgia.

Sinto doer o “eu” no coração.
Nada do que pensei existia.
E que recorri à infância,

Convivendo no mundo com a imaginação.

Como gostaria de tudo alterar.
De ser uma criatura diferente,

Para nada das pessoas esperar.

Acreditar que fui “gente” e que signifiquei um presente,
Na difícil arte de se encontrar?


E, sentindo o vácuo pelo que idealizei verdadeiro,
Diante de tanta desigualdade.

Não quero me contaminar com realidade,
E, realmente, crer que houve cumplicidade.

Não pense que falo de amor ou de paixão.
Falo de camaradagem, afeto e comiseração.
Falo do Amor sublime, aquele que se sente,
Acima da racionalidade, da convivência e fantasia.
E que existe independente da frustração.

S. B.




segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

Cora Coralina

Ontem foi a prova do Magistério...
Impressionante: a quantidade de professores...
o salário irrisório..., o tumulto..., o lugar...
Enfim, cansativo e preocupante.
Porém, o meu maior prazer foi ver o
primeiro texto da prova:
"Eu sei, mas não devia",
de Cora Coralina.
Confesso que foi um alento e,
mesmo diante daquele "caldeirão",
consegui sorrir de prazer e felicidade.
O texto representava tudo que estávamos
vivendo, inclusive aquele tórrido momento.

O que a arte da poesia é capaz de fazer!!!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

what a wonderful world

Como o mundo é maravilhoso!!!

Eu me casei com esta música...

Tenho grandes recordações, lindas lembranças

e momentos inesquecíveis...

Porém... tudo muda, mesmo assim:

"What a wonderful world".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sócrates (Athenas - Grécia)


"Se todos os nossos infortúnios, fossem colocados juntos e, posteriormente, repartidos em partes iguais por cada um de nós, ficaríamos muito felizes se pudéssemos ter apenas, de novo, só os nossos".









Meu maior medo


Meu maior medo é viver sozinho

e não ter fé para receber um mundo diferente

e não ter paz para se despedir.

Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho

e me esforçar em me manter ocupado,

para não provocar compaixão dos garçons.

Meu maior medo é ajudar as pessoas,

porque não sei me ajudar.

Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal,

sem acordar durante a chuva mais revolta,

sem adormecer diante da chuva mais branda.

Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho.

Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento.

Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho

e depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.

Meu maior medo é a segunda-feira

e me calar para não parecer estranho e anti-social.

Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par

e voltar mais solteiro do que antes.

Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho.

Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim.

Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família,

que não me deixa ao menos dar errado.

Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra

e faltar uma companhia para concordar comigo.

Meu maior medo é que a metade do rosto, que apanho com a mão,

seja convencida a partir, com a metade do rosto que não alcanço.

Meu maior medo é escrever para não pensar.


Eu vivo o maior dos temores...

Eu escrevo para não pensar!!!!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Amizade Verdadeira

Amizade é algo essencial na minha vida.
É valioso saber que tenho um grande amigo,
que a cada instante esteja comigo,
nem que seja em pensamento.
Pode ser um amigo de shopping, de faculdade, de trabalho,
de viagem em viagem, aquele que se vai na sexta-feira depois da aula.
Um amigo leal, aquele que está junto a mim,
sempre... e que, mesmo estando distante, não me abandona.
Um amigo compreende as minhas falhas,
ouve o meu silêncio, entende as minhas súplicas.
Pode até viver num mundo virtual,
conectado apenas pelos pensamentos e tecnologias.
Não importa! desde que ele exista,
fique em meu coração e me deixe com saudades.
Saiba reconhecer os momentos bons
ou difíceis da minha vida.

Tenho muitos amigos,
mas me sinto muito sozinha.
Não sei se reconheço a verdadeira amizade,

ou se ela realmente existe.

S.B.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Sinos



"Quisera eu escrever o poema correto, o verso métrico, a estrofe perfeita e sonora que fizessem ressoar os sinos que me embalam agora."
S.B.
Ilha de Santorin/Grécia.

Ovídio (A Arte de Amar)

"Se eu pudesse,
seria mais sensata;
mas uma força nova
arrasta-me contra a minha vontade,
e o desejo
atrai-me a uma direção,
e a razão, a outra:
vejo e aprovo o melhor,
mas sigo o pior."

Ovídio

sábado, 1 de dezembro de 2007

Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nosses bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prezer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeira,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Coimbra, julho 1843. Gonçalves Dias.


Literatura Brasileira...
Mais um final de semana de estudos,
mas não posso negar que é com um imenso prazer...
Porque só "Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá".
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

Amor...
Não existem "amores", mas sim Amor...
O amor que nos faz acreditar nas pessoas,
que nos faz Amar um amigo, que nos faz
acreditar em mitos, que nos permite crer
que somos verdadeiramente amados...
Amor... Amor... Amor...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Medo

Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de novembro de 2007

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
-Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa 11-9-1933

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sonhos

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."

William Shakespeare

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

SOB O SIGNO DA INQUIETAÇÃO


O susto em nós foi avançar
muito para dentro do proibido.
Muito para perto de uma zona perigosa.
A boca da noite... o desconhecido...
Vagos caminhos de uma via nebulosa.
Vários conceitos para falar da mesma coisa

O susto em nós foi descobrir porteiras
de territórios nunca antes percorridos
No fundo de todos nós um visitante
No fundo, a falta de sentido...
Visitantes de nós mesmos cometíamos
a imprudência de quase enlouquecer
Para chegar à compreensão.
E uma coisa afiada nos conduzia
através da trilha da poesia
e do difícil trajeto da paixão...


Bruna Lombardi

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O SONHO

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e
nela só se tem uma chancede fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância
das pessoas que passam por suas vidas.


Clarice Lispector

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida.


Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Posso ter defeitos, viver ansioso e
ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

sábado, 10 de novembro de 2007

"Sou um guardador de rebanhos,
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz."


Alberto Caeiro heterônimo de Fernando Pessoa.

Literatura Portuguesa... majestosa...
Ah!!! Quanta docilidade no expressar.
Hj eu me sinto assim...
Com "o meu corpo deitado na realidade",
eu estou feliz!!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do
homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.

Simone de Beauvoir

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.

Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.

Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.

Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.

Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.

...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.

Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.

... e é assim que se rouba um coração, fácil não?

Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 4 de novembro de 2007

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso,
só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.


Pablo Neruda